A doutrina da Tábula Rasa se espalha por todos os assuntos que nos remetem ao ser humano. Com isso, seus adéptos tem a esperança de que os males da sociedade sejam resolvidos, isto é, através de crenças que nos dizem que todo tipo de comportamento é aprendido. A violência, palavra que sintetiza com sucesso um dos grandes medos atuais de todo homem que caminha por esse planeta, também recebe explicações politicamente corretas, mas que não servem para perscrutar o fenômeno cientificamente nem descobrir suas reais causas. A falta de sucesso em resolver o problema da violência é a evidência mais forte de que confundir ideologia e política com ciência não é algo produtivo.
Violência: Panorama Geral
| Guerra em pintura rupestre |
Os noticiários nos bombardeiam com notícias sobre guerras, assaltos, maridos batendo em suas esposas, mulheres abandonando seu filhos em latas de lixo, assassinatos, enfim, temos a sensação de que nunca vivemos tempos tão ruins. Muitos antropólogos salientam essa visão popular ao se mostrarem adeptos da doutrina do “bom selvagem”. Segundo eles, a raça humana é naturalmente pacífica e todo o comportamento violento é socialmente aprendido, e que, inclusive, é uma criação recente. Para exemplificar eles dão exemplos de tribos ainda existentes, que vivem isoladas do mundo globalizado, no estilo caçador-coletor (assim como nossos ancestrais viveram). Esses povos primitivos (no sentido não de inferioridade, mas de estilo de vida antigo) são uma verdadeira janela para o entendimento do nosso passado. Achados arqueológicos e pesquisas com esses atuais caçadores-coletores mostram que a quantidade de baixas resultantes de guerra e violência em geral superam de longe as taxas observadas ao redor do mundo (Bamforth, 1994). O registro arqueológico nos mostra o nosso passado sangrento: esqueletos com marca de escalpo, afundamentos ósseos provocados por machados e pontas de flecha (muitas ainda incrustadas), armas com machadinhas e clavas que não são úteis para caçar mas ótimas para homicídios, pinturas rupestres mostrando grupos de homens abatendo uns aos outros com lanças e flechas (Keeley, 1996; Walker, 2001). Os dados indicam que antes mesmo do aparecimento do homo sapiens sapiens , as outras espécies já se trucidavam de forma grotesca, indicando que a violência é algo visto há pelo menos 800 mil anos (Fernández-Jalvo et al., 1996). E isso contradiz fortemente os antropólogos da paz, que diziam (alguns ainda dizem) que essas tribos só praticavam guerras rituais, que terminava assim que o primeiro homem caísse ferido.
“A história da raça humana é a guerra. Exceto por breves e precários intervalos, nunca houve paz no mundo; e muito antes de a história coeçar, o conflito assassino era universal e interminável”.